O que esperar do mercado imobiliário em 2023?
Após um 2022 considerado positivo pelo setor – apesar de um cenário instável em razão das eleições presidenciais, juros e inflação em níveis altos – o mercado imobiliário tem um panorama otimista para 2023.
Após um 2022 considerado positivo pelo setor – apesar de um cenário instável em razão das eleições presidenciais, juros e inflação em níveis altos – o mercado imobiliário tem um panorama otimista para 2023.
Muitos lançamentos, aumento da demanda por moradia e queda gradual dos juros são algumas características aguardadas por especialistas do setor.
Pesquisa da Brain Inteligência Estratégica e Abrainc mostra que 82% das construtoras e incorporadoras consideraram o custo dos materiais de construção o maior problema enfrentado neste ano. Apesar disso, 62% acreditam que em 2023 o mercado estará melhor.
Na última reunião do ano do Copom (Comitê de Política Monetária), a Selic foi mantida em 13,75%. Foi o terceiro encontro seguido em que o comitê optou por não alterar a taxa básica de juros, após um ciclo de 12 altas consecutivas.
O Banco Central (BC) destacou que “o comitê acompanhará com especial atenção os desenvolvimentos futuros da política fiscal e seus efeitos nos preços de ativos e expectativas de inflação”. No mais recente boletim Focus, do BC, a expectativa para a Selic em 2023 está em 11,75%.
As variações da taxa básica de juros influenciam as decisões dos bancos que emprestam dinheiro para os projetos das incorporadoras e para os clientes comprarem a casa própria. A tendência é de condições mais favoráveis para o financiamento, principalmente a partir do segundo semestre de 2023.
Segundo as instituições financeiras consultadas pelo BC, a estimativa para o IPCA deste ano está em 5,92%, e deve cair para 5,08% em 2023. A projeção de alta do PIB de 2022 foi elevada para 3,05% para este ano. Em 2023, a estimativa é mais cautelosa, com aumento de 0,75%.
O Índice de Confiança da Construção, do FGV IBRE, teve redução em novembro, mas ainda mantém patamar alto, de 95,6 pontos. Em relação às perspectivas, a maior parcela dos empresários da construção (22,1%) aponta que a demanda continuará crescendo, contra 13,7% que indicaram queda nos próximos meses.
Balanço de 2022
Na plenária da Aconvap de novembro, o economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, convidado especial do evento, apresentou um panorama do mercado imobiliário e da economia nacional.
Ele mostrou que o PIB da construção civil deve fechar 2022 com crescimento de cerca de 6%, o dobro do PIB total previsto.
Outros dados que mostram o aquecimento do setor são a taxa de desocupação, que estava em 8,7% em setembro, o menor percentual desde dezembro de 2014, e a manutenção do financiamento imobiliário em um patamar alto, com leve queda em relação a 2021, quando houve um boom no setor.
No mercado de São José dos Campos, houve queda de 18% nas unidades vendidas no primeiro semestre de 2022, em comparação com o mesmo período de 2021, mas aumento de 25% no VGV. Em relação às unidades lançadas, acréscimo de 15%, e mais 45% no VGL.
Para Petrucci, apesar do cenário econômico, das eleições majoritárias e da Copa do Mundo, o mercado imobiliário poderá atingir o segundo melhor ano da última década no fechamento dos dados de 2022.
Segundo o economista, a subida da taxa de juros dos financiamentos imobiliários com recursos da poupança (36%) afetou pouco a concessão de financiamentos e as medidas adotadas no PCVA para recompor parte do preço e do poder de compra das famílias demonstraram a partir de julho uma retomada nas contratações.