Entrevista com Armando Lourenzo, professor da FIA, Casa do Saber e USP (MBA), sobre sucessão em empresas familiares

O processo de sucessão em empresas familiares é um tema abrangente, que envolve detalhes que podem fazer a diferença para uma gestão de sucesso. O desafio é garantir a continuidade do negócio e da cultura construída, preservando os interesses dos familiares de gerações distintas, que possuem valores e visões de mundo que muitas vezes são conflitantes.

Entrevista com Armando Lourenzo, professor da FIA, Casa do Saber e USP (MBA), sobre sucessão em empresas familiares

O processo de sucessão em empresas familiares é um tema abrangente, que envolve detalhes que podem fazer a diferença para uma gestão de sucesso. O desafio é garantir a continuidade do negócio e da cultura construída, preservando os interesses dos familiares de gerações distintas, que possuem valores e visões de mundo que muitas vezes são conflitantes.

Infelizmente, esse processo costuma ter obstáculos que fazem com que a quantidade de empresas familiares que se mantém saudáveis financeiramente seja costumeiramente pequena.

“O índice de êxito é baixo, de 33% na primeira sucessão”, afirma Armando Lourenzo, doutor e Mestre em Administração pela FEA-USP, que atualmente é professor da FIA (Fundação Instituto de Administração), Casa do Saber e USP (MBA).

Autor do livro “Sucessão na Empresa Familiar – Transferência do comando entre gerações e gestão de carreira dos sucessores e sucessoras”, ele participou da reunião mensal do NJEA (Núcleo de Jovens Empreendedores da Aconvap), em que conversou com o grupo sobre o tema.

Principais causas de problemas na sucessão familiar

O especialista cita quatro principais fatores que costumam dificultar o processo de desenvolvimento dos herdeiros com potencial para assumir cargos estratégicos na empresa da família.

“A centralização, a falta de preparo dos herdeiros, conflitos familiares e diferença de visão estratégica são as maiores causas”.

O especialista explica que não há problema em haver diferença de opinião entre os herdeiros e fundadores da empresa, mas é preciso conversar para alinhar os interesses e estratégias. Quanto aos conflitos familiares, ele ressalta que 85% das empresas familiares se deparam com eles, o que compromete as chances de êxito na “passagem de bastão” para os herdeiros quando os fundadores se afastam do comando da empresa.

Educação e vocação

Questionado sobre a necessidade de preparação em cursos ligados a administração e gestão, ele acredita que é importante em algum momento estudar temas relacionados à área, seja na graduação, pós, MBA ou cursos de extensão.

“Mas não adianta só fazer uma boa faculdade. É preciso ter uma mentoria, se preparar de maneira mais ampla. Uma experiência em outra empresa pode ser valiosa”.

Para ele, competências como espírito de liderança e relacionamento interpessoal são importantes para o sucesso da empresa, mas é preciso também levar em conta o interesse dos sucessores pelo negócio e seus planos de carreira.

“A rigor, todos podem desenvolver habilidades, se aprimorar para assumir uma empresa familiar. Mas tem também a questão da orientação vocacional. O amor pelo negócio da família já pode ser percebido desde a infância, e o quanto antes começar esse envolvimento, melhor”, diz.

Desafios globais

Em suas palestras sobre o tema, Lourenzo aborda aspectos como o contexto da empresa familiar no mundo e no Brasil, vantagens e desvantagens da empresa familiar, gestão de conflitos, pontos críticos do processo, necessidade da profissionalização da gestão, estratégias para o sucesso e longevidade, técnicas de capacitação e desenvolvimento.

O professor desenvolve pesquisas para seu pós-doutorado, que propõe uma comparação entre a sucessão familiar em empresas brasileiras, portuguesas e espanholas, e já percebeu que os desafios encontrados no Brasil se repetem no exterior.

“Os problemas são similares. O erro mais comum dos sucessores é não estar qualificado para assumir o negócio da família”, destaca.

Uma pesquisa do IBGC (Instituto Brasileiro de Governança Corporativa) corrobora essa opinião. Segundo o levantamento, 72% das empresas familiares brasileiras não têm um plano de sucessão para os principais cargos da companhia.

É uma questão primordial, que afeta diretamente o desafio de conciliar as características que fizeram a empresa se estabelecer com destaque em sua área de atuação às transformações do mercado, inovações tecnológicas e novos hábitos de consumo.

Um caminho que, se for conduzido com foco em planejamento e capacitação, garante longevidade e competitividade aos negócios da família.

Por Adminitrador Geral
23 de agosto de 2022