Engenheiro Fernando Beraldo fala sobre as tendências da construção civil em 2023

O que esperar do setor de construção civil em 2023? Com o advento de novas tecnologias e metodologias do setor da construção civil, espera-se que uma série de inovações seja incorporada aos processos, garantindo maior eficiência e melhores resultados. Fernando Beraldo, engenheiro civil e diretor da MZ3 Engenharia, considera que a tecnologia também impacta uma…

Engenheiro Fernando Beraldo fala sobre as tendências da construção civil em 2023

O que esperar do setor de construção civil em 2023? Com o advento de novas tecnologias e metodologias do setor da construção civil, espera-se que uma série de inovações seja incorporada aos processos, garantindo maior eficiência e melhores resultados.

Fernando Beraldo, engenheiro civil e diretor da MZ3 Engenharia, considera que a tecnologia também impacta uma questão fundamental, que afeta todos os setores da construção, em todas as regiões do país: a capacitação.

“Observamos uma falta generalizada de mão de obra qualificada. Creio que uma tendência é a necessidade de capacitação de novos trabalhadores para desempenhar as tarefas de obra, assim como a mudança de sistemas manuais que demandam muita mão de obra para sistemas mais industrializados que é executada por poucos especialistas (Drywall vs alvenaria, PEX vs PVC etc.)”, citou.

Ele compara a construção civil com a indústria fabril: nesta última, existe uma demanda crescente por capacitação profissional, programas educacionais de qualificação, treinamentos e desenvolvimento de novos colaboradores.

“Cursos de soldagem, mecânica, elétrica, operação de máquinas e afins, voltados para a indústria, são tão comuns hoje que chega a ser difícil adentrar no mercado de trabalho sem ter algum diploma de capacitação. Em contrapartida, embora a construção civil se enquadre no setor industrial – participando obrigatoriamente da contribuição para o SENAI, SESI e SEBRAE –, existe pouca ou quase nenhuma aderência dos profissionais da construção aos serviços de capacitação, e seus cursos não são ainda cobrados ou mesmo incentivados pelas construtoras”.

Para Beraldo, nos últimos anos, devido aos impactos da pandemia da COVID-19 e da alta dos juros e do consequente arrefecimento do setor, observamos uma emigração constante da mão de obra para setores mais produtivos.

“São setores com maior rentabilidade, mais tecnológicos e, portanto, mais produtivos, que oferecem melhores condições de trabalho e remuneração. Esses fatores impactam também, de maneira ainda mais acentuada, as novas gerações, mais ligadas à tecnologia, que se veem desconectadas com o setor da construção, que segue sendo majoritariamente artesanal”.

 

Segundo o especialista, o caminho envolve três principais ações:

1- Capacitação e captação de novos trabalhadores para desempenhar as tarefas de obra;

2- Substituição de sistemas de produção manuais, com baixo valor agregado, que demandam grande quantidade de mão de obra com média ou baixa especialização, para sistemas cada vez mais industrializados que são executados por poucos especialistas (exemplos: Drywall vs alvenaria, distribuição hidráulica em PEX/PERT vs PVC, etc.);

3- Adoção crescente de sistemas construtivos off-site, nos quais a mão de obra se encontra em um ambiente mais produtivo, restando à obra apenas a montagem dos componentes.

 

Para ele, a sustentabilidade, a utilização de softwares de gestão de obras e o método Lean são outros temas atuais, com alto potencial de impacto e são grandes déficits do setor. Confira a opinião do especialista sobre esses assuntos:

 

Sustentabilidade

“A construção civil é um dos setores com maior impacto ambiental hoje, tanto na emissão de gases de efeito estufa como na geração de resíduos de construção. Existem grandes desenvolvimentos a serem realizados nas áreas de desmaterialização da construção, redução de perdas através da modularização dos ambientes e na redução de desperdícios nos processos de obra incluindo perdas incorporadas. Vale lembrar, ainda, que as emissões e resíduos dos edifícios, casas etc., durante o dia a dia de sua utilização, em poucos anos ultrapassam aqueles gerados pela construção em si, reforçando a necessidade não apenas de obras mais sustentáveis, mas de produtos, projetos e soluções mais sustentáveis, visando às décadas de utilização por vir após a entrega”.

 

Lean Construction

“Para aumentar a produtividade do setor, existe uma crescente necessidade da adoção não apenas de técnicas e sistemas construtivos inovadores, mas da inovação implementada nos sistemas de gestão das obras. Em um mundo globalizado e cada vez mais competitivo, no qual o Mercado define o valor que deve ser pago nos produtos que construímos, o único modo de aumentar a lucratividade é reduzindo os custos de construção e operação. Nesse sentido, surge a necessidade de reduzir ao máximo os desperdícios de recursos preciosos, como tempo, dinheiro, material e equipamentos, garantindo que todos os recursos aplicados em um empreendimento gerem valor do ponto de vista do consumidor final, o cliente. Esta é a base principal do Lean Construction, que nasce da adaptação de técnicas de planejamento e gestão utilizadas pela indústria seriada para o setor da construção civil”.

 

Tecnologia

“Precisamos de maneiras de controlar os desperdícios de recursos, reduzindo o tempo de busca de informação e coleta de dados, para que os gestores da construção possam focar em debater e solucionar os problemas identificados. Os softwares de gestão vêm se tornado cada vez mais robustos, com soluções integradas de planejamento e gestão de obra, indicando aos gestores os pontos críticos que precisam de atenção, os serviços que estão com orçamento mais apertado, os setores que estão indicando possibilidade de atraso etc. Embora seja um setor extremamente heterogêneo, no qual ainda existam obras que são realizadas inteiramente sem planejamento ou controle da produção, grandes passos têm sido dados pelas chamadas Construtechs para auxiliar na solução dos problemas de obra. Cabe agora a nós do setor buscarmos, adotarmos, testarmos e aperfeiçoarmos as soluções propostas”.

Por Adminitrador Geral
21 de março de 2023