Boas práticas para a durabilidade das estruturas de concreto armado
A prematura degradação das estruturas é um problema preocupante, pois envolve custos elevados e risco à segurança dos usuários, além, claro, de ir na contramão da sustentabilidade. Sempre é importante lembrar que uma premissa de uma estrutura sustentável é que ela atenda a sua vida útil de projeto, ou seja, durar 50, 60 ou até 100 anos com a devida manutenção.
Num primeiro momento, o concreto armado pode parecer um sistema construtivo conhecido e simples. Pois bem, conhecido realmente é, e amplamente empregado no Brasil e no mundo. Porém, sua correta execução requer bom conhecimento e capacitação dos times técnicos e de armação das construtoras. Os manuais de boas práticas foram concebidos para apoiar nessa capacitação e na disseminação da boa prática na execução de obras. Dessa forma, atualizar os times de campo com as melhores práticas de armação se torna tarefa primordial na garantia da qualidade e durabilidade das estruturas.
Quando discutimos durabilidade de estruturas de concreto armado, é impossível não darmos foco à corrosão. A corrosão das armaduras de aço é um dos principais fatores de redução da vida útil das estruturas de concreto armado e tem sido exaustivamente investigada há algumas décadas. Não é um fenômeno simples de entendimento, e os sintomas dos problemas de corrosão normalmente ficam visíveis após anos da estrutura em uso, sendo que, quando o processo corrosivo é visível, o estado da armadura já pode estar deteriorado. Por essa razão, existe uma dificuldade dos nossos profissionais da construção entenderem e adotarem medidas efetivas de proteção para garantir uma durabilidade superior ainda na fase de projeto.
A armadura embutida no concreto intacto se encontra protegida da corrosão em razão da alta alcalinidade da água presente nos poros deste material (GENTIL, 2011). O pH elevado – entre 12,7 e 13,8 – favorece a formação de uma camada de óxido passivante, compacta e aderente sobre a superfície da armadura que a protege indefinidamente de qualquer sinal de corrosão, desde que o concreto de cobrimento preserve sua integridade (WOLYNEC, 2013).
A despassivação da armadura (quebra da camada protetora) pode ocorrer pela redução do pH do concreto por carbonatação ou pela penetração de íons cloreto (Cl-) na matriz do concreto (GENTIL, 2011; RIBEIRO, 2018). A corrosão desencadeada pela carbonatação ocorre naturalmente em qualquer tipo de atmosfera (principalmente em ambientes urbanos, como na Figura 1), enquanto que a corrosão por Cl- ocorre em ambiente marinho (ARAUJO; PANOSSIAN, 2010) ou quando há a incorporação de cloretos à mistura do concreto.
Figura 1 - Fissuras e desplacamentos do revestimento e do concreto em pilar principal de edificação residencial em São Paulo.

Construir estruturas de concreto armado duráveis depende de uma série de cuidados, na etapa de projeto e execução (materiais, detalhamento de projeto, resistências, cobrimento, entre outros).
De uma forma prática, podemos entender a importância do projeto, da execução e da manutenção da estrutura para atendimento dos requisitos de desempenho descritos na ABNT NBR 15575, em seis momentos, segundo a figura abaixo.
Figura 2 – 6 momentos importantes no projeto, na execução e na manutenção da estrutura

Na etapa de execução, optar por materiais de qualidade e processos industrializados, como concreto usinado e vergalhão cortado e dobrado, têm papel fundamental para atendermos as especificações de projeto.
Figura 3 – Corte e dobra industrial.

O uso do vergalhão cortado e dobrado, produzido industrialmente com alta precisão dimensional, aliado a uma correta execução no canteiro, garante o atendimento às especificações de projeto quanto ao cobrimento e montagem das armaduras. Contar com elementos industrializados adicionais, como telas eletrossoldadas e treliças, também propiciam uma elevada qualidade dimensional e rigidez na montagem da estrutura, além dos ganhos de produtividade das equipes de armação.
Durabilidade das estruturas: responsabilidade de todos, desde o projeto até o uso da estrutura, com sua correta manutenção!
Eng° Maurício Silveira Martins
Especialista de Marketing Construção Civil da Gerdau
Patrocinador Aconvap
Para saber mais sobre outros detalhes de montagem de armaduras como estes, os dois volumes do Manual de Boas Práticas – Montagem das Armaduras de Estruturas de Concreto Armado podem ser baixados gratuitamente pelos links http://bit.ly/Manual_Boas_Praticas_Vol_1 e http://bit.ly/Manual_Boas_Praticas_Vol_2.
Referências:
ARAUJO, A. DE; PANOSSIAN, Z. Durabilidade de estruturas de concreto em ambiente marinho: estudo de caso. (Abraco, Ed.)Intercorr. Anais...Fortaleza: Intercorr 2010, 2010
GENTIL, V. Corrosão. 6a ed. Rio de Janeiro: LTC, 2011.
RIBEIRO, D. V. (COORDENADOR). Corrosão e Degradação em Estruturas de Concreto Armado: Teoria, Controle e Métodos de Análise. 2o ed. Rio de Janeiro: ELSEVIER, 2018.
WOLYNEC, S. Técnicas Eletroquímicas em Corrosão. 1a Edição ed. São Paulo: EDUSP - Editora da Universidade de São Paulo, 2013.