AS ARGAMASSAS COLANTES SÃO FLEXÍVEIS?

Apesar de ser uma propriedade relevante para revestimentos aplicados sobre bases deformáveis, a flexibilidade não é coberta pela normalização atual de argamassas colantes no Brasil. Embora sejam denominadas comercialmente como argamassas colantes “flexíveis”, na prática, nenhum dos tipos normalizados apresenta o valor mínimo para ser considerada uma argamassa deformável ou flexível. Uma forma fácil e econômica de proporcionar esse requisito é a aditivação com resinas acrílicas.

AS ARGAMASSAS COLANTES SÃO FLEXÍVEIS?

Apesar de ser uma propriedade relevante para revestimentos aplicados sobre bases deformáveis, a flexibilidade não é coberta pela normalização atual de argamassas colantes no Brasil. Embora sejam denominadas comercialmente como argamassas colantes “flexíveis”, na prática, nenhum dos tipos normalizados apresenta o valor mínimo para ser considerada uma argamassa deformável ou flexível. Uma forma fácil e econômica de proporcionar esse requisito é a aditivação com resinas acrílicas.

O estudo de aditivação de argamassas colantes com látices já é antigo e tem como principal objetivo aumentar a sua flexibilidade. Já na década de 1990, foram publicados artigos no Simpósio Brasileiro de Tecnologia de Argamassas (SBTA) com resultados significativos, como pode ser observado em “Flexibilidade de argamassas adesivas” (Akiama; Medeiros e Sabbatini), de 1997, disponível em: http://www.gtargamassas.org.br/eventos/file/62-flexibilidade-de-argamassas-adesivas.

Motivado por essa experiência, o engenheiro Marcelo Matsusato, orientado pelo Dr. Fernando Henrique Sabbatini, fez uma ampla pesquisa com avaliação experimental sobre o tema, resultando em sua dissertação de mestrado, intitulada “Estudo do comportamento de argamassas colantes com aditivação de látex acrílico”, disponível em: www.teses.usp.br. Esse trabalho, publicado em 2007, sintetiza um vasto conhecimento sobre o tema, sendo de fácil aplicabilidade, e comprova o potencial de sucesso na aditivação de resinas acrílicas em argamassas colantes.

Em todos esses artigos, os resultados são impressionantes. Basicamente, a normalização brasileira estabelece requisitos de aderência (figura 1). A aditivação, sem prejuízo da resistência de aderência, proporciona um aumento de flexibilidade de até 10 vezes, com dosagens a partir de 5% da massa de materiais secos.

Figura 1 – Propriedades fundamentais para argamassas colantes – ABNT NBR 14081-1 – Argamassa colante industrializada para assentamento de placas cerâmicas. Parte 1: Requisitos

 

Atualmente, empresas do setor já disponibilizam resinas diluídas, que bastam ser adicionadas às argamassas colantes na mesma proporção de água indicada pelo fabricante.

A comprovação do aumento de flexibilidade é obtida de forma simples. Atualmente, o ensaio mais utilizado é o baseado na norma UNE – EN 12004 – Adhesives for tiles. Determination of transverse deformation for cimentitious adhesives and grouts. A figura 2 demonstra um esboço desse ensaio, que consiste em submeter à flexão um corpo de prova de argamassa colante. Esse ensaio é realizado na maioria dos laboratórios que realizam ensaios de argamassa colante. A figura 3 apresenta uma foto do ensaio realizado em laboratório em São Paulo.

Figura 2 – Esboço do ensaio de deformação transversal. Disponível na dissertação de mestrado de Max Juginger: Rejuntamento de revestimentos cerâmicos. Disponível em www.teses.usp.br

 

Figura 3 – Foto de ensaio de deformação transversal

Na maioria dos trabalhos pesquisados, as argamassas colantes brasileiras classificadas por norma como tipos I, II e III não chegam a 2mm de deformação transversal, não sendo nem consideradas argamassas do tipo deformáveis. Conforme a EN-UNE, as argamassas podem ser classificadas em duas classes, em relação ao valor de deformação transversal obtido:

  • Classe S1: argamassas deformáveis, com uma deformação transversal ≥ 2,5mm e < 5mm;
  • Classe S2: argamassas muito deformáveis, com uma deformação transversal ≥ 5mm.

Observa-se que o uso depende, obviamente, do produto empregado, da técnica de aplicação e de todos os componentes e elementos utilizados. Recomenda-se para essa aplicação a utilização de produtos que sejam normalizados, de fornecedores com competência para essa aplicação e com projeto de revestimento e/ou acompanhamento técnico de consultoria especializada.

 

Escrito por Alexandre Britez,

Engenheiro Civil, Mestre em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo e professor do Curso de Especialização Poli – Integra na área de Tecnologia e Gestão da Produção de Edifícios. Atuação no mercado desde 1998, passando por grandes empresas da construção civil nas áreas de obras, qualidade, desenvolvimento tecnológico e produção sustentável. Sócio fundador da GP&D Consultoria e Projetos.

Por Adminitrador Geral
25 de novembro de 2022